O mercado do boi gordo terminou julho com um comportamento diferente do observado em anos anteriores. Após enfrentar pressão sobre os preços durante a primeira metade do mês, as cotações reagiram nas semanas seguintes e encerraram o período em trajetória de valorização, contrariando a tendência sazonal de enfraquecimento normalmente registrada no fim de julho.
A recuperação ocorreu em meio à oferta moderada de animais para abate e ao interesse dos frigoríficos em manter suas escalas abastecidas diante da expectativa de melhora no consumo de carne com o início de um novo mês.
Mercado apresentou comportamento fora do padrão
De acordo com análises da Scot Consultoria, julho foi considerado um mês atípico para a pecuária de corte.
Tradicionalmente, a segunda quinzena costuma registrar maior pressão sobre os preços da arroba. Neste ano, porém, aconteceu o movimento inverso: depois de um início de mês mais fraco, as cotações ganharam força e fecharam julho em alta.
Esse desempenho refletiu principalmente o equilíbrio entre a disponibilidade de animais terminados e a estratégia de compra adotada pelos frigoríficos.
Frigoríficos permaneceram ativos nas compras
Nos últimos dias do mês, a oferta de bovinos aumentou levemente em relação às semanas anteriores, estimulada pela valorização da arroba. Ainda assim, o volume disponível permaneceu limitado.
Mesmo sem interesse em ampliar significativamente as escalas de abate, as indústrias continuaram realizando aquisições para garantir matéria-prima suficiente para o início de agosto, período em que normalmente ocorre aumento da circulação de renda e expectativa de maior consumo de carne bovina.
Arroba do boi gordo permanece em R$ 348 em São Paulo
Nas praças de Araçatuba e Barretos, referências para o mercado nacional, o preço do boi gordo permaneceu em R$ 348 por arroba, considerando negociações com pagamento a prazo.
As demais categorias apresentaram o seguinte comportamento:
- Boi China: cotação estável;
- Vaca gorda: sem alterações nos preços;
- Novilha: valorização de R$ 3, encerrando o período cotada a R$ 335 por arroba.
Julho termina com valorização das principais categorias
Na comparação entre o início e o encerramento de julho, as principais categorias bovinas registraram evolução positiva nas cotações em São Paulo.
Os resultados foram:
| Categoria | Variação em julho |
|---|---|
| Boi gordo | +3,9% |
| Boi China | +2,9% |
| Vaca gorda | +2,9% |
| Novilha | +2,4% |
Os números mostram que a recuperação foi generalizada entre os animais destinados ao abate.
Indicador Cepea confirma ganho mensal
O indicador Cepea/Esalq encerrou o último pregão de julho apontando a arroba do boi gordo em R$ 346,55.
Embora tenha registrado uma pequena variação negativa de 0,10% em relação ao dia anterior, o indicador acumulou alta de 3,02% ao longo do mês, reforçando o movimento de recuperação observado no mercado físico.
Diversas regiões registraram estabilidade nos preços
Entre as 33 regiões acompanhadas pela Scot Consultoria, a maior parte manteve as cotações inalteradas no fechamento do mês.
Ao todo:
- 23 regiões permaneceram estáveis;
- 10 regiões registraram valorização da arroba.
As altas ocorreram em importantes polos pecuários, incluindo:
- Triângulo Mineiro;
- Sul de Goiás;
- Cuiabá (MT);
- Sudeste de Mato Grosso;
- Marabá (PA);
- Redenção (PA);
- Paragominas (PA);
- Sudeste de Rondônia;
- Norte de Tocantins;
- Sul de Tocantins.
Esse cenário demonstra que a recuperação dos preços não ficou restrita ao estado de São Paulo.
Mercado de reposição apresenta estabilidade
Enquanto o mercado do boi gordo encerrou julho em alta, o segmento de reposição teve comportamento mais equilibrado.
O indicador Cepea/Esalq para o bezerro, calculado com base nas negociações realizadas em Mato Grosso do Sul, fechou a semana cotado em R$ 3.377,23 por cabeça, sem variação diária.
No acumulado do mês, entretanto, o indicador registrou queda de 0,29%, indicando estabilidade com leve recuo nas negociações de reposição.
Perspectivas para agosto
O início de agosto será acompanhado de perto pelos agentes do setor para avaliar se a recuperação observada em julho terá continuidade.
A expectativa é que fatores como oferta de animais terminados, comportamento do consumo interno, ritmo das exportações e estratégia de compra dos frigoríficos continuem influenciando diretamente as cotações da arroba.
Caso a disponibilidade de bovinos permaneça controlada e a demanda por carne apresente melhora, o mercado poderá manter um cenário de preços firmes nas próximas semanas.
O fechamento de julho confirmou uma recuperação importante no mercado do boi gordo, contrariando o comportamento sazonal normalmente observado para o período. A valorização da arroba, a atuação constante dos frigoríficos e a oferta ainda limitada de animais contribuíram para um ambiente mais favorável aos pecuaristas. Com o início de agosto e a expectativa de aquecimento no consumo de carne bovina, o setor permanece atento aos próximos movimentos que poderão definir o comportamento das cotações no curto prazo.










